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Calculadora de Juros Compostos

Capital inicial + aportes mensais + taxa = quanto você terá no fim. O resultado atualiza enquanto digita.

valor final
total investido
ganho em juros
espaço publicitário
Simulação matemática, sem considerar impostos, inflação ou taxas de administração. Não é recomendação de investimento.

A força silenciosa dos juros sobre juros

Nos juros compostos, cada mês rende sobre o total acumulado — capital, aportes e os juros anteriores. No começo o efeito parece tímido; com o tempo, vira avalanche. Nos parâmetros padrão acima (R$ 1.000 iniciais, R$ 300 por mês, 10% ao ano em 10 anos), saem do bolso R$ 37.000 e o montante chega a cerca de R$ 62.553 — os juros sozinhos respondem por R$ 25.553, ou 41% do total.

Estique o mesmo plano para 25 anos e a proporção se inverte de forma dramática: o investido sobe para R$ 91.000 e o montante vai a aproximadamente R$ 380.832. Os juros passam a valer R$ 289.832 — mais de três vezes tudo o que saiu do seu bolso. É por isso que "começar cedo" pesa mais que "aportar muito": tempo é o único ingrediente da fórmula que não dá para comprar depois.

A fórmula, aberta

Para capital parado, o clássico: M = C × (1 + i)^t. Com aportes mensais, entra um segundo termo, o valor futuro de uma série de pagamentos: M = C × (1+i)ⁿ + PMT × [((1+i)ⁿ − 1) ÷ i], onde C é o valor inicial, PMT o aporte, i a taxa do período e n o número de períodos. É exatamente o que a calculadora acima executa mês a mês, com o aporte entrando ao fim de cada mês.

O detalhe que derruba a maioria das contas caseiras é a conversão de taxa. Taxa anual não se divide por 12; converte-se pela equivalência composta imensal = (1 + ianual)^(1/12) − 1. Uma taxa de 12% ao ano equivale a 0,9489% ao mês, não a 1%. Parece detalhe irrelevante — em 30 anos, essa diferença de meio ponto percentual anual muda o resultado em dezenas de milhares de reais.

O que R$ 500 por mês constroem ao longo do tempo

PrazoTotal investidoMontante brutoJuros acumuladosJuros / total
5 anosR$ 30.000R$ 38.312R$ 8.31222%
10 anosR$ 60.000R$ 100.109R$ 40.10940%
15 anosR$ 90.000R$ 199.786R$ 109.78655%
20 anosR$ 120.000R$ 360.566R$ 240.56667%
30 anosR$ 180.000R$ 1.038.207R$ 858.20783%

Simulação a 0,8% ao mês (cerca de 10% ao ano), valores brutos. Repare no formato da curva: entre 5 e 10 anos o montante quase triplica; entre 20 e 30 anos, ele quase triplica de novo — mas o acréscimo de aporte é o mesmo R$ 500 mensal. A última década de um plano longo produz mais patrimônio que as duas primeiras somadas. Quem desiste no ano sete abandona justamente a parte em que a conta começa a trabalhar sozinha.

Começar cedo x aportar mais

Vale colocar números na frase de efeito. A 0,8% ao mês: quem aporta R$ 300 por mês dos 25 aos 60 anos investe R$ 126.000 e chega a cerca de R$ 1,03 milhão. Quem começa aos 35 e dobra o aporte para R$ 600 investe R$ 180.000 — R$ 54 mil a mais do próprio bolso — e chega a cerca de R$ 744 mil. Mais esforço, menos resultado. Os dez anos perdidos no início são exatamente os que teriam recebido trinta e cinco anos de capitalização.

Para estimativa rápida sem calculadora, use a regra dos 72: divida 72 pela taxa em porcentagem e você tem o tempo aproximado para dobrar o valor. A 10% ao ano, 72 ÷ 10 = 7,2 anos (o cálculo exato dá 7,27). A 1% ao mês, seis anos. Serve tanto para investimento quanto para dívida — e do lado da dívida a mesma regra costuma assustar.

Do bruto para o que sobra no bolso

A simulação acima é bruta, e três coisas separam esse número do dinheiro real: imposto, inflação e taxas.

Em aplicações de renda fixa tributadas, o imposto de renda incide apenas sobre o rendimento, com alíquota regressiva pelo prazo da aplicação:

Prazo da aplicaçãoAlíquota de IR sobre o rendimento
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

Ou seja, sair antes de dois anos custa 7,5 pontos percentuais a mais de imposto sobre o ganho. Existem também aplicações isentas de IR para pessoa física — poupança, LCI e LCA, entre outras — e produtos com regras próprias, como fundos sujeitos ao come-cotas semestral. Cada produto tem sua tributação; confirme a do seu antes de projetar.

A inflação é o segundo filtro, e o mais silencioso. Ganho real não é rendimento menos inflação: é (1 + nominal) ÷ (1 + inflação) − 1. Render 10% com inflação de 5% dá 4,76% de ganho real, não 5%. Em prazos longos, é o juro real que determina quanto poder de compra você terá — o número nominal só serve para conversa.

Por fim, taxa de administração e de custódia saem do rendimento todo ano, independentemente do resultado. Meio ponto percentual de taxa anual em um plano de 30 anos consome uma fatia do montante final muito maior do que a intuição sugere, porque ela também é composta.

O lado sombrio: a mesma matemática, contra você

A capitalização não escolhe lado. O rotativo do cartão de crédito no Brasil historicamente opera acima de 400% ao ano — desde 2024 há um teto legal que limita o total de juros e encargos ao valor original da dívida, o que reduz o estrago mas não elimina o problema. O cheque especial também trabalha com taxas que nenhum investimento honesto acompanha.

A consequência prática é uma regra simples de decisão: quitar dívida cara rende, com risco zero, exatamente a taxa da dívida. Se você tem R$ 5.000 aplicados rendendo 10% ao ano e R$ 5.000 no rotativo a 400% ao ano, não existe investimento que compense manter os dois. Quitar é o "investimento" de maior retorno garantido disponível — e é o único em que a rentabilidade é conhecida de antemão.

Erros clássicos de conta

Perguntas frequentes

Qual a diferença prática entre juros simples e compostos?
R$ 1.000 a 10% ao ano por 30 anos: no regime simples viram R$ 4.000; no composto, R$ 17.449. Mais de quatro vezes a diferença, sem nenhum aporte extra. No juro simples a taxa incide sempre sobre o valor inicial; no composto, sobre o acumulado.

Como funciona a regra dos 72?
Divida 72 pela taxa em porcentagem para estimar quantos períodos o valor leva para dobrar. A 10% ao ano, 7,2 anos. A 6% ao ano, 12 anos. É aproximação, precisa para taxas entre 4% e 15%, e serve igualmente para calcular em quanto tempo uma dívida dobra.

O imposto de renda muda muito o resultado?
Muda o rendimento, não o capital. Com 15% sobre o ganho em aplicações acima de 720 dias, um lucro bruto de R$ 100.000 vira R$ 85.000 líquidos. Resgatar antes de 180 dias custa 22,5% do ganho — motivo pelo qual sair cedo de uma aplicação tributada é caro duas vezes.

A poupança rende juros compostos?
Sim, com capitalização mensal, mas segundo uma regra própria definida em lei: quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, rende 0,5% ao mês mais TR (cerca de 6,17% ao ano mais TR); quando a Selic fica igual ou abaixo de 8,5%, rende 70% da Selic mais TR. E rende apenas no "aniversário" mensal do depósito — sacar um dia antes zera o rendimento do mês.

Esta simulação serve para decidir onde investir?
Não. Ela mostra o que a matemática faz com uma taxa hipotética que você escolheu, em condições ideais e sem risco. Rendimento real varia, produtos têm risco, custo e liquidez diferentes, e a escolha de onde aplicar depende do seu prazo e do seu perfil. Use a ferramenta para comparar cenários, não para escolher produto.